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Lote 59 do Loteamento Porto Verde I no Município de Alvorada no Rio Grande do Sul. Cooperada recebe em sua casa direção estadual e nacional da CMP.

A CMP E OS 20 ANOS DE RESISTÊNCIA E CONSTRUÇÃO DO MOVIMENTO POPULAR

Para refletir conjuntamente, o que vem a ser movimento popular nos dias de hoje temos que fazer um breve histórico dos acúmulos do movimento popular nas ultimas décadas. O movimento popular em sua história sempre se destacou como um sujeito que se propõe a contribuir para a transformação da sociedade brasileira, rumo a um mundo mais justo e solidário.

Atentos aos desafios, buscamos em nossa história as origens, o desenvolvimento e a construção da identidade deste sujeito – o movimento popular. Trata-se de uma busca difícil, a história oficial reserva ao povo papel secundário e passivo frente às transformações atribuídas a grandes homens, santos e heróis. Há, contudo, empenho em escrever a história da classe operária e do povo excluído.

Além dessas lutas e formas de organização, há muito a ser resgatado e contado. É preciso buscar as raízes do Movimento Popular que, em sua riqueza e diversidade, se coloca tarefas como a construção de uma Central de Movimentos Populares qualificada para formular e construir políticas públicas, e junto com outros setores do campo e da cidade, contribuir para a elaboração de um projeto político para o país.

Ao longo de sua história, o povo brasileiro – como qualquer outro sujeito a opressão – resistiu, lutou, organizou-se em busca de melhores condições de vida. Houve a luta contra a escravidão que perdurou no Brasil por 320 anos, hoje se vê as conquistas que resgatam da exclusão o povo negro brasileiro, como por exemplo a política de cotas, mas há ainda a luta contra a concentração da propriedade privada que tem origem desde as capitanias hereditárias e fim da “escravidão”, que negou principalmente aos negros, e também ao povo excluído, o direito ao acesso a terra e aos meios de produção. As cidades receberam os negros livres, os escravos foragidos e uma leva de imigrantes e migrantes de vários pontos do Brasil e do mundo.

O movimento popular brasileiro ajudou a conquistar a duras penas a democratização do país, e a participação popular em políticas públicas. Esta participação pode se transformar em uma faca de dois gumes: de um lado, facilita a cooptação e o esvaziamento de nossas forças e de outro, é um aprendizado, obrigando nossos militantes a se capacitarem técnica e politicamente para não serem enganados nas negociações e dar consistência as suas propostas. As lutas diretas, como as mobilizações de rua, ainda são a principal ferramenta de conquistas do povo excluído, e prioriza-las, fará com que as lutas institucionais sempre tenham o respaldo e a força da pressão popular.

A concentração da atividade produtiva nas cidades arrastou milhares de brasileiros do campo para a cidade, mas o acesso à propriedade e o direito a cidade, sempre foi a principal marca da exclusão. A urbanização tinha como principal marca, a exploração da mão de obra do trabalhador, mas o acesso a cidade, continua negada e reprimida.

Em tempos, há de se destacar que o atual avanço desenvolvimentista com os Mega Projetos, Copa do Mundo e Olimpíadas nos remete aos conflitos urbanos do começo do século passado, como a revolta da vacina no Rio de Janeiro, cujo pano de fundo consistia em uma “Reforma Urbana” de direita com inspiração higienista, destinada a entregar a cidade a interesses da elite e da especulação imobiliária.

Neste passado remoto, surgiu o contraste entre a cidade legal que atendia aos planos, leis e normas do poder público, e a cidade “clandestina”, fora dos padrões, segregada e livre de toda melhoria e infra-estrutura. Mais à frente, ocorreram importantes lutas de resistência popular para a permanência no espaço urbano em todo Brasil incluindo o ESTATUTO DA CIDADE e a FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE como tema central nesta discussão.

Nos dias de hoje, mesmo com a criação destes instrumentos , esta segregação caminha a passos largos, não apenas nas grandes metrópoles, mas em médias cidades, com destaque para a violenta desocupação das comunidade “Pinheirinho” em São José dos Campos, SP, protegendo a propriedade privada a favor de um especulador financeiro condenado por crimes, e de uma massa falida com dívidas que supera a marca de 30 milhões de reais. A atual segregação atinge estágios mais preocupantes, antes a expulsão era para a periferia, hoje é para outras cidades, dificultando a mobilidade urbana, e jogando os excluídos para cidades com infra- estruturas ainda mais precárias.

Não há como negar que nossa democracia ainda precisa ser aprimorada, pois o aumento das pressões populares fez surgir uma relação entre governos e movimento popular, a luta reivindicativa institucionalizada tornou-se comum e usual, e a prática da barganha de favores em troca de projetos (ao invés de políticas públicas) e de apoio eleitoral (ao invés de projeto político).
 

 AS LUTAS  DOS MOVIMENTOS NAS DÉCADAS PASSADAS NO PAÍS

Nos anos 80, as lutas e ocupações de terra no campo e na cidade, as lutas operarias, e as lutas na periferia por direitos fazem surgir diversas organizações muito importantes no cenário nacional, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimento Sem Terra), o MNMMR (Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua); e diversos movimentos locais de mulheres, negros, e outros centrados no combate aos preconceitos e às discriminações, resistindo a opressão cultural, exigindo mudanças nas relações de poder no cotidiano e uma nova ética, referenciada nos valores históricos da classe trabalhadora. É um período marcado pela articulação de movimentos da mesma índole e de unificação de bandeiras comuns. É o caso da construção no início dos anos 90, do MDF (Movimento de Defesa dos Favelados) do MOPS (Movimento Popular de Saúde), do MNLM (Movimento Nacional de Luta por Moradia), da UMM (União dos Movimentos de Moradia) e a articulação do FNRU (Fórum Nacional de Reforma Urbana). Neste cenário se consolidou a idéia de se construir uma Central de Movimentos Populares. Assim, em 1993, é fundada a CMP, após um processo de anos de articulações, plenárias e diversas reuniões.

Nos anos 90 com o crescimento da institucionalização da luta, várias entidades entraram para a formalidade, criando personalidade jurídica e captando recursos públicos e de entidades de cooperação internacional e nacional. Nesta onda, houve a criação de diversas ONGs e OSCIP’s com raízes na luta popular e na construção de políticas públicas nas diversas áreas (Educação, Criança e Adolescentes, Diversidade sexual, Juventude, portadores de deficiência, economia solidária, entre outros).Temos que  fazer uma análise e uma leitura atual de como este novo segmento poderia se aglutinar na construção e na luta das políticas públicas com participação popular e porisso é necessário ficar atento para a função de cada ONG. 
 

 Movimentos Populares e Conselhos Setoriais

O “participativismo” no que se refere ao OP- Orçamento Participativo de Porto Alegre e a participação nos conselhos nos diversos níveis de governo, que existem em POA pela sua tradição de organização, crescem desde a eleição de Lula, transformando-se na pauta de mobilização de várias entidades nacionais. Mas podemos  escolher: participar com débil controle social – como ocorre em muitos conselhos - e não ter caráter deliberativo ? OU analisar o tema OP profundamente que em  seu auge propiciou abrir os cofres públicos. Na década de noventa  exercemos o CONTROLE SOCIAL  neste processo que nos levou ao FORUM SOCIAL MUNDIAL e hoje  o mesmo OP nos transformou em meros espectadores das decisões tomadas em gabinete.

Podemos aproveitar este momento do CONGRESSO da CMP para deliberar sobre quais  estratégias podem ser significativas  para intervir nestas instâncias e exercer o controle social DELIBERANDO sobre os recursos dando a eles a prioridade para as famílias de baixa renda.

Na atualidade os movimentos necessitam se articular  para não esquecer a década de 90 onde o projeto neoliberal motivou a ápice da articulação entre os movimentos sindicais e populares do campo e da cidade. Tendo ou não relação de causa e efeito, o fato é que, com a eleição do governo Lula iniciamos outra era onde FAZER nos envolve por completo e o PENSAR e QUALIFICAR estes avanços alcançados nesta década atual LULA/DILMA nos desafia. Podemos voltar a  dialogar com as entidades nacionais para fortalecer suas lutas específicas e promover lutas gerais unificadas. Há ainda que fortalecer os diversos segmentos dentro da CMP, com o objetivo de garantir a pluralidade e a construção democrática de uma verdadeira e autônoma Central de Movimentos Populares.
 

 O BRASIL NO MUNDO E OS MOVIMENTOS POPULARES 
 

O Brasil é um dos países que concentram o maior número de movimentos, organizações e lutas populares. Multiplicam-se por toda parte movimentos por terra, moradia, saúde, saneamento, transporte, direitos humanos, associações comunitárias, movimentos negros/as, de mulheres, portadores de deficiência, de diversidade sexual, de cooperativas populares, movimentos ecológicos, de defesa da criança e do adolescente, da terceira idade, enfim uma diversidade desafiadora.

Há, no entanto, grande diversidade de práticas e de concepções entre esses movimentos. Existem níveis de organização, de clareza quanto aos objetivos, de democracia interna, de autonomia em relação ao estado, as igrejas, aos partidos e a outras instituições. E há grande diversidade política e cultural entre os movimentos. À medida que se constrói a democracia, amplia-se o leque de pluralidade. Este é o desafio da construção de uma Central de Movimentos Populares

E os dirigentes de todas as instancias tem que estar sensíveis e capazes de articular esta diversidade tão rica e audaciosa. A CMP não pode  ser uma articulação de apenas um segmento,  pode ser uma Central plural e  democrática. Ela constitui-se como um polo aglutinador de setores dos movimentos populares com uma identidade comum de práticas e concepções. São movimentos em defesa de uma sociedade verdadeiramente democrática, que supere opressões políticas, econômicas e culturais.

A CMP deve contribuir na qualificação destes movimentos como sujeitos políticos democráticos e autônomos, que ocupem o papel de interlocutores junto ao estado e de outras esferas da vida nacional, construindo, propondo, disputando e participando da gestão de políticas públicas coerentes com o projeto de sociedade que defendemos. Devem ser os movimentos os sujeitos de uma nova cultura social e política, buscando fundamentar-se nos princípios da autonomia, da democracia, da representatividade, em ser de base, ser de massa, ser classista, ser combativo, e principalmente ter a solidariedade como princípio básico.

Além dos princípios históricos da CMP, há de se superar o corporativismo, o imediatismo e o estágio meramente reivindicativo. Há de se articular as lutas imediatas com objetivos estratégicos, capacitar-se para transformar o acúmulo obtido com as lutas em propostas políticas para a sociedade, disputar estas propostas com outros setores participando da gestão democrática da sociedade. Mas principalmente superar a fragmentação e o isolamento entre os movimentos, este é o grande desafio posto para a continuidade de uma Central de Movimentos Populares.

Podemos melhorar  a relação da CMP com o movimento sindical, o movimento sem terra, os partidos, as igrejas, as ONGs e outras entidades como complementaridade para conquistar um espaço democrático onde se possa exercer a soberania popular. Isto inverte a relação historicamente predominante entre um Estado a serviço do Capital e a sociedade, marcada por práticas de exclusão, formas de tutela e mando. O pólo de decisão e criação deve estar na sociedade civil organizada, principal construtora de um Estado a serviço dos interesses coletivos.

Conjuntura Nacional e Internacional

A América Latina vive nesta ultima década, resquícios dos tempos sombrios da ditadura vividos por alguns de nós, e que todos sabemos que foi uma época de retrocesso e da perda de liberdade de expressão, acompanhada de torturas, mortes e perda de direitos civis.Para quem achava que estes tempos de muita dor e atrocidades cometidas pelo estado estavam superadas, há pouco mais de dez anos está em curso uma nova modalidade de golpe na América Latina, “O Instituicional”. O modus operandi é muito parecido, com largo apoio da mídia elitista e conservadora, e com um ator inusitado, o judiciário. Sem entrar no mérito do debate sobre o dito “mensalão”, o que se trata do atual caso de propagação midiática com forte atuação do STF, a corte máxima no Brasil, é um claro caso de perseguição ao PT, por erros cometidos pelos seus principais dirigentes. Aí tentam a todo custo desestabilizar a confiança do brasileiro no PT.

No momento  o Brasil se constrõe como referência para  América Latina sendo o ano de 2013 emblemático e decisivo pois a elite brasileira de tomar o poder no Brasil, por esta nova modalidade de golpe, pois já perceberam que no voto, dificilmente vencerão. A Argentina também vem sendo fustigada pelos inimigos de classe, inconformados com a aprovação da lei de controle da mídia e pelo protagonismo de novos atores sociais, da base da pirâmide social, que promoveram grande crescimento dos movimentos populares do país vizinho e que são base de sustentação e de reconstrução do país após o desastroso neoliberalismo menemista. Esta modalidade de golpe se iniciou em 2009 em Honduras com a queda de Manoel Zelaya, e recentemente a queda de Fernando Lugo no Paraguai foi ainda mais marcante com amplo apoio da mídia nacional e internacional, e com total apoio do parlamento e do judiciário.Antes, houve tentativas frustadas, em 2002 na Venezuela contra CHAVEZ, e em 2010, contra Rafael Correa no Equador. 

O Brasil ainda está no caminho do crescimento econômico, pois não foi afetado fortemente pela crise americana e européia, o cenário econômico atual não é uma boa opção de debate para a elite brasileira, pois “nunca na história deste país” eles ganharam tanto, mas mesmo assim não admitem que um operário e uma mulher tenham chegado ao poder no país e seja tão respeitado internacionalmente e tão querido e aprovado pelo povo brasileiro.

Mudança só é desejada quando se está mal-acomodado e mesmo com a tentativa deste governo atual de  combate a  corrupção a sociedade achar que a política vai mal .As pessoas de baixa renda  vão sendo incluídas no mercado de consumo de massas e no mercado formal de trabalho. Mas isto ainda não é o bastante. Os direitos coletivos e sociais e a distribuição da renda a reforma política  deveram entrar na pauta dos MOVIMENTOS POPULARES .

Ainda temos muitos irmãos que sofrem  preconceito racial e as policias continuam com a escalada do extermínio da população pobre. È predominantemente a população negra que sofre e o  aumento da violência contra a mulher, contra a homossexualidade, aos povos indígenas, aos sem terra, aos sem teto, a população de rua.

Para nós do movimento popular a criminalização dos movimentos e da pobreza, com a repressão das lutas organizadas, o avanço dos despejos, e das políticas higienistas, além da instalação de CPIs e das alianças eleitorais sem identidade com a pauta histórica da reforma urbana; tudo isso monta um cenário de perda de campo político e de linchamento público perante a sociedade. Apesar da sua condição de nova potência econômica, o país ainda buscamos  eliminar a principal fonte produtora de injustiça, pobreza e miséria, qual seja, a desigualdade. Apesar das concretas melhorias sociais, ainda encontramos  pessoas vivendo em condições extremamente precárias, à margem do sistema. O modelo desenvolvimentista deve ser socializado pela ações concreta dos dos movimentos populares. E as POLITICAS PUBLICAS URBANAS s garantidoras de direitos aprofundadas. E a PARTICIPAÇÃO POPULAR E O CONTRÔLE SOCIAL  efetivados no aprofundamento da distribuição de renda para consolidar um país com tamanha força política e econômica ascendente economicamente no mundo.Mas o BRASIL precisa aprofundar sua ascendência social e garantir a população uma justa distribuição de renda e esta pauta pode estar transmitida em nossas lutas, reuniões e organizações. O coletivo não pode ser substituído pelo privado o povo que busca o  horizonte da solidariedade, da fraternidade e da igualdade acredita e aposta nas lideranças dos movimentos organizados do Brasil.

No  país ainda  a elite brasileira tenta  criminalizar os movimentos sociais e suas lutas. A intenção  é desmoralizar as lutas por direitos e toda movimentação social para  garantir a verdade sobre as ações contra os direitos civis na ditadura . Estas medidas só visam trazer a verdade dos fatos para que não aconteçam nunca mais em nosso país .temos que seguir nos  mobilizando, para garantir nossos  direitos civis como cidadãos. A Lei que garante a  liberdade de expressão são uma das ações e conquistas do povo brasileiro por direitos .

A nossa reorganização é vital não podemos perder espaço  no Brasil e no MUNDO pois os poderosos das  empreiteiras, o capital imobiliário e o agronegócio, despontam como preferenciais na ganância da produção de cidade para poucos. Necessitamos estar mais presentes para construir  os pilares para a o crescimento do  poder popular com  a certeza de que os parceiros deste governo atual para sua governabilidade deve ser  o povo  são parceiros estratégicos. Os mega-projetos que são excludentes, favorecem o capital imobiliário, as construtoras, e expulsam e criminalizam os pobres; mas garantem o financiamento de campanhas eleitorais de toda a sorte, e nos colocam cada vez mais no fio da navalha das negociatas que quase sempre resultam em desvios, consequentemente em mais perda de credibilidade. Como devemos nos comportar neste cenário de avanço da direita reacionária e da perda de identidade de governos que ajudamos a eleger? Como não deixar que nos esmaguem, ou cooptem, preservando nossa autonomia? PODEMOS e DEVEMOS defender na V CONFERENCIA NACIONAL DAS CIDADES pautas históricas como a Função Social da Propriedade, a PEC da Moradia digna, o Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano.

O FUTURO DA LUTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS 

Hoje ainda estamos em “tempos difíceis e complicados” pois a direita avança sobre os movimentos e sobre os direitos tentando tomar o governo popular. Nós que trabalhamos durante décadas e  alcançamos estas conquistas com tanto luta, sangue e dedicação não podemos fragilizar nossas concepções e podemos enfatizar por nossa trajetória a este governo que  somos parceiros estratégicos. Mas a história mostra que o movimento social tende a se mobilizar e ascender em tempos difíceis para isso é necessária uma boa análise da conjuntura, identificar os adversários e os inimigos de classe, e ter uma estratégia clara e bem definida.

A CMP é composta por uma articulação de movimentos específicos que já fazem sua luta reivindicatória. Devemos fortalecer estas lutas, as entidades parceiras para conter o avanço do conservadorismo, e impor nossa pauta histórica da reforma urbana. Mas acima de tudo traçar uma luta articulada com entidades nacionais do campo e da cidade, do popular e do sindical, em torno de uma reforma política que fortaleça a democracia e as formas de representação e da construção de políticas públicas garantidoras de direitos humanos e sociais.

Há de se ter coragem, força mobilizadora e articulação com diversos segmentos. Contra o avanço do conservadorismo, do reacionarismo e da criminalização, a radicalização da democracia. Propostas como plebiscitos populares, referendos, leis de iniciativa popular, veto popular, limite de reeleição de parlamentares, fim de diversas mordomias no parlamento, e efetivo controle social da gestão pública, devem ser uma busca incessante.

A mobilização social e o controle social devem ser a mola propulsora desta busca incessante, e que esta seja uma prática a ser buscada e disseminada a partir de nossas bases, nos locais de moradia, de trabalho, de nossas organizações, para que esta praxes seja o referencial coletivo contra esta onda individual incrustada no seio de nossa sociedade.

BALANÇO POLITICO DA CMP 2009/13

Em seu IV Congresso realizado em Brasília, a CMP realizou mudança significativa em sua estrutura política. A gestão e representações da CMP sempre foram desde sua formação compostas por um colegiado. Diante dos desafios e da necessidade de experimentar uma organização mais centralizada, decidiu-se pela figura do Coordenador Geral que teria o papel orientador, articulador e produtor de políticas e mobilizações na CMP.

Exige-se esforço, disciplina, disponibilidade e centralidade. É muito importante que seja uma pessoa que permeia por todos os segmentos, e esteja atento e articulando estes no sentido de fortalecer a articulação, a mobilização e a visibilidade da CMP. E sem dúvidas seja um dirigente capaz de respeitar e ser respeitado pelos estados, segmentos e pelo conjunto da direção. Este modelo é recente, mas pelas suas características e por seu caráter desafiador, precisa ser aprimorado, entendido e realizado em sua plenitude, para que possamos de fato descobrir se este modelo nos trará um salto de qualidade, ou se devemos voltar ao tradicional modelo amplamente usado e propagado nos movimentos Brasil afora, que é o colegiado. Esta avaliação é extremamente importante se debater no V Congresso e nas bases.

É importante salientar que os governos populares e o parlamento têm cada vez mais sendo ocupado por representantes e dirigentes do movimento popular. Trata-se de um avanço, nossos dirigentes tem sido convocado para cargos de primeiro escalão em governos municipais, estaduais e federal, além de continuarmos a ter candidatos ao parlamento e graças ao reconhecimento da sociedade na luta destes, muitos são eleitos e passam a compor esta importante trincheira de luta.

Este foi um entrave importante desta atual direção, nosso corpo dirigente com sua forte atuação e reconhecimento, teve vários de seus principais dirigentes, ocupando cargos nos poderes legislativos e executivo, e desta maneira com várias tarefas e trabalhos a se realizar, não poderiam de fato se dedicar exclusivamente à organização da CMP, e este prejuízo trouxe muitas dificuldades para CMP. Mas de fato, o maior entrave enfrentado nesta atual gestão foi a escassez de recursos financeiros e de projetos que pudessem manter a estrutura organizativa da CMP. A falta destes recursos impossibilitou o funcionamento de uma sede nacional, de termos dirigentes liberados pela direção para fazer a articulação nacional; e reuniões periódicas da direção que pudessem dar conta da imensa demanda de discussões e de organização política que tanto necessitamos. A falta da sede nos colocou numa deficiência de comunicação e consequentemente de articulação e orientação política aos estados.

A ausência de recursos com certeza é um dos grandes desafios a serem enfrentados e amplamente discutidos no congresso, na busca de propostas e soluções para esta deficiência que há tempos vem nos dificultando e engessando o crescimento e organização da CMP. É extremamente necessário e urgente ter uma política de finanças da qual os estados sejam importantes parceiros na construção de uma verdadeira entidade nacional. Autonomia financeira se traduz em força política e capacidade organizacional, que nos levará ao tão sonhado salto de qualidade na articulação e mobilização.

Estamos abrindo este rápido parênteses sobre a criminalização dos movimentos populares, com um exemplo concreto, para mostrar que isso prejudica sobremaneira o funcionamento e a ação política dos movimentos. Pois  são mesmo freqüentes acusações e processos criminais contra militantes dos movimentos sociais e populares, a grande maioria dela envolvendo ocupações de terras e imóveis de propriedade privada ou pública, sem cumprir sua função social, no campo e na cidade.Com a CMP não é diferente, temos hoje vários companheiros sofrendo processos judiciais e, pelo menos um companheiro, ainda preso no Amazonas inclusive acompanhamos todas as nuanças do processo do companheiro  GEGÊ, membro da Coordenação Nacional em 2004 que foi preso por quase 2 meses só sendo libertado por meio de HABEAS CORPUS .

Não há como negar um crescimento dos contatos representativos nos estados e o V Congresso Nacional da CMP, poderá ter a representação de 20 estados. Sem dúvida, se trata de um salto de “quantidade” se comparado aos dois últimos congressos. Mas pela própria dificuldade política na comunicação e articulação desta direção, este congresso deverá preparar o salto de “qualidade” tão importante para a visibilidade e reafirmação da CMP como entidade articuladora e mobilizadora dos movimentos populares.

O  dia 31 de maio Dia Nacional de Mobilização por Políticas Públicas com Participação Popular, é um momento onde os estados articulam os movimentos e os filiados a CMP para um momento importante de visibilidade e afirmação da CMP perante a sociedade um exemplo de pauta com visibilidade nacional onde a CMP pode alicerçar a nível nacional a importância da interlocução e comunicação de sua visão de luta social.

A pauta da participação nos conselhos nacionais onde a CMP participou dos Conselhos das Cidades, de Saúde, de Juventude, de LGBT, de Igualdade Racial. Apesar da ampliação, devemos aprimorar nossas formas de articulação, de escolha das representações e de balanço político de nossa atuação, bem como as pautas que estão sendo discutidas. Esta é uma discussão extremamente importante, pois servirá como reflexão sobre a continuidade ou intensificação da participação nestes e em outros conselhos.

Mesmo com as dificuldades políticas potencializadas pela escassez de recursos financeiros, a CMP segue se articulando e avançando nas lutas, conquistas e no aprendizado do caminhar juntos. A verdadeira CMP plural, democrática será uma conquista construída por todos nós, direção nacional, estados e movimentos filiados. Temos tudo para continuarmos avançando e alavancando a CMP rumo a uma sociedade livre, justa e socialista. Mãos a obra. Temos certeza que o V Congresso será um marco para um novo patamar de funcionamento político e dirigente da DN da CMP.


Central dos Movimentos Populares visitam obras da COOHRREIOS.